Desde o lançamento da tecnologia Blu-ray — que foi impulsionada pelo PlayStation 3 —, as fabricantes e os grandes estúdios prometem que os filmes neste formato oferecem a melhor qualidade em imagem e áudio. As propagandas alarmam o enorme salto na definição dos vídeos, notando sempre que a resolução passou de 480p para 1080p.
Assim como as mídias físicas, as operadoras de TV a cabo e os serviços de streaming por internet também evoluíram. Muitas companhias de televisão anunciam pacotes com uma infinidade de canais HD. Na web, diversos portais de vídeo (como o YouTube) e locadoras virtuais (como o Netflix) oferecem os vídeos com resolução 1080p.
Na teoria, todas essas mídias alcançam qualidades muito parecidas, mas, na prática, sabemos que não é bem desse jeito. É notável que os vídeos transmitidos via streaming e os conteúdos das TVs a cabo oferecem qualidade muito inferior à dos filmes em Blu-ray. Mas, afinal, por que isso acontece? O que essas mídias têm de tão especial?1080p não quer dizer muita coisa
Primeiramente, vale esclarecer que a resolução de um vídeo não representa nada além da quantidade de pixels que serão exibidos na tela. Sim, 1920x1080 pixels é uma resolução excelente, sendo a mais elevada para a reprodução de conteúdo na maioria dos televisores LCD, LED e Plasma — salvo exceções, como os modelos 4k.

Vale notar que um mesmo espaço está sendo preenchido com menor quantidade de pixels (quando é usada a resolução de 720p), ou seja, cada pixel acaba ganhando um tamanho físico maior. Uma mesma região que poderia exibir 2,25 pixels (de um vídeo em 1080p) acaba mostrando apenas um pixel (de um vídeo em 720p).
No entanto, a qualidade de um vídeo não é ditada por sua resolução. Quer um exemplo? Você pode pegar um vídeo em 480p e converter para a resolução 1080p. Qualquer software dos mais básicos vai esticar os pixels e aumentar a resolução do clipe, oferecendo como saída um arquivo em “alta definição” (que, na verdade, vai ter o conteúdo totalmente distorcido). Veja um exemplo:

Moral da história: a resolução não é o fator fundamental na qualidade, e tanto a HDTV quanto alguns serviços de streaming são limitados e não conseguem reproduzir conteúdo com a mesma resolução dos filmes em BD (Blu-ray Disc).
O “bitrate” é o fator fundamental
Sim, a definição da imagem está diretamente ligada à resolução, mas o que realmente define a qualidade dos vídeos é a taxa de bits. Esse número expressado em Mbps (megabits por segundo) revela justamente a quantidade de dados (no caso, em megabits) que é transmitida em um determinado tempo (em um único segundo).

Os filmes em BD, no geral, contam com 24 frames por segundo. As TVs a cabo costumam trabalhar com 30 frames por segundo. Tirando essa questão dos quadros por segundo, a conta é um bocado simples: quanto mais bits compõem os frames de um segundo, mais perfeita fica a imagem.
Vamos a um exemplo: quando você vai salvar uma imagem no Photoshop, é possível definir a qualidade — quanto maior a qualidade, menores as chances de danificar o conteúdo original da imagem. Assim, você pode imaginar que quanto maior o bitrate, menos imperfeições vão aparecer.
Nem mesmo o Blu-ray oferece o máximo em qualidade
O Blu-ray não consegue comportar um filme de alta definição (1080p) sem codecs. Dessa forma, as gravadoras usam o MPEG-4, o MPEG-2, o AVC, o H264 e outros recursos para diminuir a taxa de bits do vídeo e reduzir o tamanho dos arquivos. Dessa forma, mesmo preservando muito da qualidade, os vídeos em Blu-ray não são perfeitos.
Devido às limitações de disco (o espaço para armazenamento do BD de camada dupla é de 50 GB) e de hardware (leitura e processamento de dados dos leitores de BD), as mídias Blu-ray geralmente trazem vídeos comprimidos com um bitrate de 30 Mbps — sendo que, segundo o Video Help, o bitrate máximo é de 40 Mbps apenas para a faixa de vídeo.

Quanto aos canais de televisão, o bitrate varia conforme a tecnologia e a operadora que transmite o sinal. Conforme notícia da BBC, a transmissora já utilizou codificadores que ofereciam vídeos com 9,7 Mbps, mas também chegou a trabalhar com dispositivos capazes de transmitir sinais com bitrate elevado a 16 Mbps.

O Blu-ray ainda deve reinar por um tempo
Este papo sobre a qualidade superior das mídias de Blu-ray poderia ser prolongado por longas horas, ainda mais se colocássemos os filmes 3D e a resolução 4K em pauta. Todavia, nossas explicações já são suficientes para você compreender o porquê de as TVs a cabo e os sites da web não oferecerem a mesma qualidade.
Para que a TV a cabo possa oferecer a mesma qualidade de um filme em Blu-ray, as operadoras (e os canais) devem dobrar ou triplicar a qualidade — que agora você chama de bitrate — dos conteúdos transmitidos e começar a trabalhar com vídeos em 1080p. A Netflix, por outro lado, terá que melhorar quatro ou cinco vezes os vídeos em “Super HD”.

Fonte: http://www.tecmundo.com.br/

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