Recuperação do Lord Hotel está parada e sem prazo de entrega

Há quatro anos, o Governo do Estado interditou o prédio localizado para recuperação. A obra, que tem um orçamento de mais de R$ 3 milhões e desapropriou 40 famílias, permanece estagnada e sem data de finalização

O concreto que sustenta o prédio permanece sem vida. As cores em tons claros, que revestiram as paredes de um dos principais hotéis de Fortaleza nos anos 1960 e 1980, foram ocupadas por um cimento mal rebocado. Por isso, é comum ouvir pessoas que frequentam o Centro e vendedores que trabalham no local afirmarem que nem percebem mais o Edifício Philomeno Gomes, mais conhecido como Lord Hotel.

O prédio, que fica em frente à praça José de Alencar, foi tombado pela Prefeitura de Fortaleza em 2006. Por causa da situação da estrutura, o Governo do Estado desapropriou, no ano 2000, o espaço, que era usado como moradia desde 1992. Com isso, 40 famílias precisaram se mudar.

Em 2010, o Governo realizou trabalhos para evitar danos à estrutura do prédio oriundos das escavações para obras do Metrô de Fortaleza (Metrofor) na região. Durante quatro anos, mais de uma licitação foram abertas para a continuação das intervenções. Atualmente, o prédio é vigiado por quatro trabalhadores encarregados de manter a segurança e a limpeza.

Um dos engenheiros responsáveis pela obra, que preferiu não se identificar para a reportagem, disse que o valor repassado para a recuperação na última licitação não foi o suficiente. Por isso, a empresa de engenharia contratada estaria aguardando repasse para dar continuidade ao trabalho. O engenheiro reforçou que a obra servirá para a recuperação estrutural de pilares, vigas e lajes.

No interior do edifício, pode-se notar a limpeza do piso ainda em concreto e como os vigias se preocupam com a segurança do lugar. Em contrapartida, o espaço ainda sofre com a degradação. O reboco do cimento nas paredes cai constantemente, empoeirando o ambiente.a

Percepções

O aposentado Raimundo Liberato, 83, ainda lembra os últimos dias com a família em um apartamento do primeiro andar do edifício. Lamenta a desapropriação. “Foi uma tristeza só porque tinha gente que não tinha pra onde ir. O que me deixa mais triste é lembrar que foi pedido para todos deixarem suas casas porque iam reformar, mas nada disso aconteceu”, comenta.

Ao redor do prédio, vendedores dizem que a situação do Lord Hotel faz com que ninguém lembre mais que trabalha ao lado de um dos grandes pontos comerciais de Fortaleza em décadas passadas. “Desde que cheguei aqui, o Lord está desse mesmo jeitinho. Só tem uns vigias que fazem a limpeza, mas nada de obra”, lembra João Teixeira, 38, vendedor na região há cinco anos.

A Secretaria da Infraestrutura (Seinfra), por meio de nota, informa que a obra está lenta porque, como se trata de uma restauração, o processo é demorado. O órgão informa que o prazo dado no início da restauração foi insuficiente e, por isso, “foi procedida uma nova licitação, que está em fase de aprovação de orçamento, para logo após, podermos emitir a Ordem de Serviços e reiniciar os trabalhos no Lord Hotel”.

O POVO entrou em contato com o Metrofor para saber as consequências das intervenções do metrô à estrutura do Lord Hotel. A assessoria de imprensa do órgão, porém, informou que questões referentes ao prédio são de responsabilidade da Seinfra.

Serviço

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Construído em 1956, o Edifício Philomeno Gomes era formado por apartamentos e funcionou como hotel até 1992. Nas décadas de 1960 e 1980, o lugar se destacou como um dos principais hotéis de Fortaleza e um dos mais importantes prédios do Centro da Capital.

Artistas de todo o Brasil e até a Seleção Brasileira de Futebol se hospedaram no hotel.

A última inquilina deixou o apartamento apenas em junho de 2011. A Prefeitura de Fortaleza tombou o prédio em 2006.

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