Mesmo querendo falar sobre os políticos, Florêncio desabafa sobre a tal Copa do Mundo: “Eu tava chateado, mas agora num tou mais não. Pensei que ia ter muita zuada”. Para ele, os estrangeiros e o movimento que os torcedores trazem à Avenida Paulino Rocha, onde mora, traz uma sensação de paz e festa. “Mas depois da Copa vai voltar a acontecer tudo de novo, porque as autoridades são as mesmas”, lamenta.
Ele se refere à violência e ao descaso público com os moradores de sua região. Florência não é o único a compartilhar essa opinião. A poucos metros de distância de sua casa, mora Fátima Oliveira, uma dona de casa de 57 anos.
“Até agora a Copa não incomodou. Eu vejo o movimento, mas não gosto não. Fico mais dentro de casa”.
E não é só o futebol que deixa a desejar para dona Fátima, mas as condições em que se encontra seu bairro nos dias em que não há jogos. “Aqui falta tudo. Quando acabar a Copa, vai ter lixo, violência. Não tem policial. Inclusive, mataram um no domingo bem ali. Quando tem jogo é uma maravilha, depois é tchau”.
Cercas e grades
Lindomar Silva da Costa, 36, tem um comércio na mesma avenida. Vende lanches rápidos e bebidas. No local, tem uma área de convivência, com mesas e cadeiras. Ele assegura que os “gringos” aproveitam sua lanchonete e garantem uma renda maior no fim do dia. “Por um lado é bom, porque tem segurança por todo lado. Mas o que atrapalha mesmo são essas grades que eles colocam, porque não pode ultrapassar para o outro lado”.
Ele ressalta que sua esposa foi fazer compras em uma mercearia do outro lado da avenida, às 6h de um dia de jogo. Ao tentar voltar para casa, foi impedida por um guarda. Depois de muita insistência, conseguiu chegar onde queria.
Outra grade que separa torcedores dos moradores da região é o preço do ingresso. Lindomar gostaria de ir a um jogo da Copa, mas não foi. “O preço é muito caro. Quando é jogo do Fortaleza ou do Ceará é R$ 30. Deveria ter um preço compatível por pessoa, de acordo com a renda dela, né?”, arrisca com um sorriso.
De fora do mundial e sem nenhum ingresso, Lindomar se conforma em assistir aos jogos pela sua TV simples, enquanto se contenta em escutar os gritos de gol na Arena Castelão, que fica, bem dizer, ao lado de seu empreendimento.
fonte: http://tribunadoceara.uol.com.br/


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