Praça Luiza Távora: a cidade que eu queria ver

Ao me aproximar da praça, vejo um casal tirando o carrinho de bebê da mala do carro pra menininha passear. Vejo uma senhora chegando a pé com seu poodle levado pela coleira. Vejo pouco mais de cinco meninos andando de skate na praça e um senhor de idade avançada que faz sua caminhada diária passa pela gente e resmunga: “tá vendo um negócio desse? tudo quebrando a praça, um absurdo”. Meu marido e eu nos entreolhamos e já sabemos o que o outro pensa: “Tem que quebrar mesmo. Primeiro, porque não tá quebrando tudo. E se quebrar, tudo se concerta! Bom é que a praça seja aproveitada, vivida”!

É assim que num sábado à tarde redescobrimos a Praça Luiza Távora, ou Pracinha da Ceart. A Praça que alguns anos atrás eu conhecia só por causa da Ceart, e onde alguns moradores do entorno faziam caminhadas tímidas, hoje é um pedacinho da Fortaleza que eu sonho, que eu queria que fosse a cidade inteira.

Pais, avós e crianças brincando, academia ao ar livre, com adultos de todas as idades fazendo exercícios, meninos brincando de skate, jogando bola, blogueira tirando foto do look do dia, pessoas passeando com seus cachorros (e interagindo por causa deles), e tudo isso como se a cidade fosse um interior.

Rostos tranquilos e felizes. E não lembro de ter visto mais do que dois amigáveis guardas olhando a praça. As pessoas estão ali felizes e se sentindo seguras não por causa deles apenas: mas porque estão em comunidade. Juntas, são mais fortes. Uma praça viva, cheia de gente feliz, não é palco pra coisas ruins acontecerem. Não há tempo nem espaço pra consumo de drogas, prostituição e atividades suspeitas. Não sei no resto do dia, mas de manhã e no finalzinho da tarde, ali só tem espaço pra alegria.

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