Decorar nomes, lembrar uma data especial, memorizar em que lugar da casa aquele objeto (justamente ele!) foi guardado. Ah! E não dá para esquecer de mandar aquele e-mail importante. Isso sem falar das inúmeras tarefas - todas com horário marcado - já estabelecidas pela rotina. Ufa!
No dia a dia, entre tantos estímulos, o excesso de informação nos obriga a dividir o foco da atenção, diminuindo a capacidade de nos dedicarmos a uma tarefa prioritária e de memorizar informações. Cada vez mais. E aí, se não me falha a memória... O que eu ia escrever mesmo? Deu branco. Não importa a idade, todo mundo já esqueceu-se de algo. O desafio, então, é lembrar-se de lembrar. Superá-lo não é difícil: os estímulos para a memória podem estar em hábitos simples. Basta exercitá-los.
"A melhor maneira de melhorar a memória é usá-la no dia a dia: aprendendo algo novo, recordando informações antigas e, de preferência, executando tarefas que sejam interessantes para a pessoa. Portanto, quanto mais usarmos nosso cérebro com atividades novas e prazerosas, mais nos aproximaremos de uma vida produtiva cheia de memória e, é claro, de falhas para rir e contar", afirma a neuropsicóloga Gislaine Gil, fundadora do programa Vigilantes da Memória e autora do livro "Ensinar a Lembrar - guia prático para ajudar a reconhecer e melhorar problemas de memória".
Conhecimento e orientação
Conforme define a especialista, a memória é a habilidade de aprender e de recordar informações a respeito do mundo ao redor, das próprias experiências e, consequentemente, fazer com que se desfrute de "ser quem se é".
Base da construção do conhecimento, ela desempenha uma função cognitiva importante, uma vez que está envolvida com a nossa orientação no tempo, no espaço, nossas habilidades intelectuais - como ler e escrever - e também as mecânicas - como andar de bicicleta e escovar os dentes.
"É por meio da memória que consideramos o nosso passado, nos situamos no presente e prevemos o nosso futuro. Se o ser humano não apresentasse uma forma de armazenar informações aprendidas anteriormente, ou seja, representações de eventos do passado, não teria uma solução para tirar proveito da experiência daquilo que ocorre no presente", justifica Gislaine Gil.
Para mantê-la saudável, é importante desenvolver bem as atividades diárias, manter-se ativo socialmente e sentir-se útil na sociedade, indica Alexandre Leopold Busse, geriatra, gerontólogo e pesquisador do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Por que esquecemos
Se a diminuição de qualidade da atenção resulta na dificuldade de memorizar informações, durante todos os anos que se sucedem na vida de uma pessoa, há uma 'batalha' sendo travada entre as redes neurais. Isso porque, se pararmos de exercitar alguma de nossas habilidades mentais, não só nos esqueceremos delas, mas o espaço no mapa cerebral dessa habilidade será entregue às outras que praticamos mais, seja por repetição ou por motivação.
Além da falta de prática, a perda de memória também pode estar associada a algumas doenças, como ocorre em casos de acidente vascular cerebral, esclerose múltipla, Aids, encefalite, síndrome alcoólica, traumatismo cranioencefálico, epilepsia, tumor cerebral, envenenamento por monóxido de carbono, uso de drogas, demência ou mesmo devido ao envelhecimento normal e distúrbios emocionais.
"Em uma situação como essa, uma pessoa pode evaporar da memória uma namorada que perdeu para o seu amigo. É provavelmente um instinto de sobrevivência contra perdas e decepções", detalha a neuropsicóloga.

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