Detentos gravam vídeo ameaçando inimigos

"Estamos aqui no Carrapicho. O clima tá meio estressante. Bota isso aí no 'zapzap'. Estamos chegando aí fora. Só questão de tempo, estamos chegando, é sal. Aqui é o capeta, a fim de matar meio mundo aí fora, arrancar pescoço. Só os psicopatas, menino". A ameaça, em tom de brincadeira, foi
feita em um vídeo divulgado nas redes sociais. Os personagens são internos da Unidade Penitenciária Francisco Adalberto de Barros Leal (UPFABL), antiga CPPL de Caucaia, conhecida como "Carrapicho". De dentro do presídio, o grupo gravou o vídeo e enviou para amigos através de redes sociais.

A denúncia foi enviada através da ferramenta VC-Repórter, por meio do aplicativo para smartphone Whatsapp pelo número (85) 8948.8712.

O material expõe a fragilidade do sistema penitenciário cearense, que ainda não consegue inibir a entrada de equipamentos eletrônicos e outros ilícitos nas unidades. Os bloqueadores de sinal telefônico, que já chegaram a ser testados, ainda não estão em funcionamento. Um protótipo chegou a ser produzido por pesquisadores cearenses e até está instalado em um presídio, mas não está em operação por falta de homologação (ver matéria coordenada).

Nas imagens do vídeo, os internos se divertem com um aparelho celular, onde gravam a mensagem que depois é enviada para os amigos. É possível perceber que pelo menos outros dois detentos também possuem telefones e demonstram estar em conversa nos aparelhos.

Afora o vídeo, a reportagem ainda localizou um perfil na rede social Facebook, em que o usuário afirma estar em um presídio no Interior do Estado. Ele publica fotos com outros detentos de dentro da cela e posta informações como quando recebe visitas ou quando há vistorias na unidade. Em algumas imagens, é possível ver que os presos possuem aparelhos celulares e televisor. Materiais similares a entorpecentes também são retratados nas fotografias disponíveis na página do presidiário.

Em uma das publicações, o interno relatou o dia em que prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Fiz a prova aqui dentro. Depois de preso que venho estudar direito", escreveu no perfil.

Medidas tomadas

De acordo com o titular da Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), Hélio Leitão, as imagens do vídeo foram gravadas há alguns meses. Os internos que aparecem na gravação foram identificados e sofreram sanções disciplinares. Os aparelhos eletrônicos foram apreendidos.

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