O Ceará estaria com graves problemas sociais e econômicos caso não existisse o açude Castanhão, o maior da América Latina. A situação seria ainda pior para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), que já teria entrado em colapso hídrico desde 2013.
Berthyer Peixoto, chefe de gabinete da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), explica que a água do açude é usada para consumo humano, além de abastecer todas as indústrias da região. “Inclusive o Complexo do Pecém seria um dos afetados”.
Dessa forma, além dos problemas sociais - como a falta de higiene, fome e proliferação de doença -, a economia local já estaria em declínio desde o ano passado.
Após dois anos intensos de seca, a situação no estado não é fácil e a falta de água atinge níveis alarmantes. Até o gigante que represa água do rio Jaguaribe sofre – atualmente, abastecido com 35% de sua capacidade. Mesmo assim, Berthyer Peixoto assegura que a água está garantida à RMF pelo menos até o fim de 2015.
“O consumo da Região Metropolitana é de cerca de 110 milhões de metros cúbicos de água. Como o Castanhão tem 2,4 bilhões, mesmo que não haja quadra chuvosa, ele suporta o abastecimento até o fim de 2015. Por isso, temos abastecimento humano e para indústrias. E a RMF ainda tem uma segurança hídrica, que é o Orós”, revelou.
O fato é que, caso o Castanhão seque e entre em estado alarmante, o açude Orós já estaria pronto para abastecer a região. Atualmente, ele está com 59,29% de seu volume preenchido. Além do abastecimento estratégico, a Cogerh conta com o fim das obras da transposição do Rio São Francisco em 2015, que garantiria o abastecimento do Castanhão.
Alvo de polêmicas
Quem diria que o açude que teve construção bastante contestada garantiria o abastecimento de grande parte da população cearense em tempos difíceis? A criação do Castanhão foi criticada durante boa parte da década de 1990. Concluído em 2003, foram várias manifestações contra e a favor, que envolviam principalmente questões socioambientais.
Entre os impactos mais comentados, estavam a erosão fluvial; a alteração na atividade pesqueira e na qualidade da água; e a salinização dos solos utilizados para agricultura. Mas o maior impacto foi relação à extinção de parte do município de Jaguaribara, onde muitos tiveram que se despedir do lugar onde cresceram e foram felizes.
Sem o Castanhão, como aponta Berthyer Peixoto, possivelmente Fortaleza estaria fazendo agora racionamento de água para enfrentar mais uma fase de seca.


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